Chegados à 10ª edição do Sweet World, que muito me/nos tem ensinado e estimulado, a opção do tema afasta-se de pressupostos sazonais e vem apostar num aumento do grau de dificuldade, a fim de puxar um pouco mais por nós. Sendo que, é sempre bom relembrar, este é um dos objectivos essenciais do desafio.
Neste contexto hoje apresentamos o Prinsesstårta, Princess Cake ou Bolo Princesa. Um tradicional bolo de origem sueca, de carácter festivo e aspecto curioso, bem elaborado e elegante. 
É um bolo tão querido pelos suecos que originou a promoção do evento Prinsesstårta Week, que decorre anualmente na terceira semana de Setembro.

A primeira referência à receita original remonta a 1948, num livro da autoria de Jenny Åkerström, professora das três filhas do rei Carl. Sendo que as princesas Margaretha, Märtha e Astrid, o tinham como seu favorito. 
Daí o seu nome actual, uma vez que originalmente assumia a denominação de grön tårta (bolo verde), dada a cor da sua superfície em massapão colorido. 

É também frequente encontra-lo noutras cores e variantes, que acabam por corresponder a outras denominações. Quando rosa ou vermelho o bolo chama-se operatårta (opera cake) e quando azul denomina-se de prinstårta (prince cake).

Quando visualizamos o seu interior facilmente percebemos que é estruturado por camadas que se dividem entre massa de bolo, creme e doce. Finalizando com um interessante massapão verde que lhe garante o efeito semicircular. A decoração final passa pelo uso de uma flor em massapão cor de rosa e açúcar em pó.
Segundo apurei diz a tradição que essa rosa seja comida pelo aniversariante, no caso do bolo ser usado para essa celebração, como é habitual.

Ora, para obtermos um verdadeiro Princess Cake necessitamos de seguir este tipo de camadas:
– Bolo (Massa Genoise)
– Doce de Framboesa ou Morango
– Creme Pasteleiro/Custard Cream
– Natas/Chantili
– Massapão

Ainda que existam algumas pequenas variações, achei interessante esta imagem que encontrei na net, onde facilmente de percebe a estruturação do doce, que da base para o topo apresenta a seguinte ordem: bolo; doce; creme pasteleiro; bolo; creme pasteleiro; natas; bolo; massapão.

Estrutura do Bolo (imagem retirada da net)

Há ainda quem utilize calda de açúcar ou rum para humedecer a massa de bolo, mas é puramente opcional. E muito sinceramente não achei que fizesse falta nenhuma dados os elementos húmidos que já o preenchem. 

Depois de várias pesquisas e percepção dos seus componentes, conjuguei várias receitas para chegar a este resultado final. 
Pelo caminho descobri, no cantinho da Ana, muita informação útil e interessante que merece ser partilhada. Como sempre, esta pasteleira de mão cheia que nos costuma dar o prazer da sua participação, executa um excelente exemplar deste bolo sueco, pelo que, aconselho a não deixarem de espreitar.
Da receita da Ana aproveitei a dica de juntar o creme pasteleiro ao chantili, ao contrário da imagem esquemática acima apresentada, e de muitas outras receitas, em que se usam em separado.

Confesso que assim que olhei para o bolo fiquei apreensiva quanto à eventual técnica necessária para conseguir dar-lhe a estrutura e forma necessárias. E, claro, se estaria à altura de o conseguir.
Mas como este nosso desafio passa por isso mesmo, superação, lá agarrei a tårta com a garra possível, face às semanas complicadas que este Outubro me trouxe. E com toda a honestidade não o achei demasiado complexo. 
Sendo um bolo com vários elementos distintos executa-se bem por fases, permitindo maior permeabilidade nos timings.
Depois de fazer o bolo e o creme pasteleiro, avancei para o massapão com uma receita já conhecida e segura, que correu perfeitamente bem.
Chegada à altura da montagem (o único momento que poderia assustar) a coisa flui com naturalidade e deu-se favoravelmente.

O Princess Cake mostra-se um bolo muito interessante, com um assumido contraste de texturas e sabores, promovido pelas distintas naturezas das camadas e, se assim quisermos e controlarmos, não demasiado doce.
Foi mais uma surpresa bem agradável que realmente só o Sweet World me podia dar o prazer de ter.
Se se mostrava um bolo que à primeira vista acharia algo artificial (sugestão claramente dada pela sua camada verde), depois de executado e provado, passou a ser um bolo super qualificado para ocupar um espaço em qualquer mesa de festa cá em casa. 
Um nórdico aprovadissimo!

Se aceitam este desafio basta seguirem as seguintes regras:

  • Tem até ao dia 20 de Novembro para nos apresentarem o vosso Prinsesstårtadeixando aqui neste post o link da vossa participação;
  • Só participações enviadas até este dia serão consideradas; 
  • Neste mesmo dia, 20 de Novembro, será publicado no blog da Lia o tema da próxima edição;
  • round up desta 10ª edição será publicado aqui no blog no dia 25 de Novembro.





































































PRINSESSTÅRTA (PRINCESS CAKE)


Ingredientes
(8-10 pessoas)


|Bolo/Massa Genoise (adaptada do blog Be Nice, Make a Cake)
4 ovos + 2 gemas
200 gr de açúcar
220 gr de farinha sem fermento
1 colher (sobremesa) de fermento 

|Creme Pasteleiro (adaptada da receita do Chef Luis Francisco)
350 ml + 50 ml de leite
100 gr de açúcar
6 gemas
1/2 colher (sopa) de extracto de baunilha (ou 1 vagem)
30 gr de amido de milho
20 gr de farinha de trigo
2 folhas de gelatina
200 ml de natas para bater
1 colher (sopa) de açúcar em pó
1/2 colher (sopa) de sumo de limão

3 colheres (sopa) de doce de framboesa

|Massapão 

100 gr de açúcar em pó + algum para polvilhar
100 gr de açúcar granulado “normal”
1 ovo grande, ligeiramente batido
200 gr de amêndoa ralada
2 gotas de corante verde (gel)

1 gota de corante rosa (gel)

|Decoração
1 flor em massapão rosa
Açúcar em pó


Preparação 

Começar pelo creme de pasteleiro. Levar ao lume o leite com as sementes de baunilha ou o extracto até ferver. Retirar do lume.

Hidratar as folhas de gelatina, cobrindo-as de água fria durante 7-8 minutos.
À parte bater ligeiramente as gemas com o açúcar e, mexendo sempre, verter muito lentamente o leite sobre as gemas.
Diluir a farinha e o amido de milho no restante leite e acrescentar ao preparado anterior.
Levar novamente ao lume brando, mexendo sempre, até que engrosse.
Nesta altura retirar do lume, escorrer bem a gelatina e adicionar ao creme, assegurando que diluem completamente. Mexer bem e reservar protegendo com película aderente junto ao creme.
Bater as natas até estarem bem firmes e juntar o açúcar e o sumo de limão. Bater um pouco mais e acrescentar ao creme de pasteleiro, já frio. Batendo lentamente até estar tudo bem envolvido num creme uniforme. Conservar no frio até usar (deverá estar no frio o tempo suficiente para que fique bem firme).
Para o bolo, pré-aquecer o forno a 190ºC. Untar com manteiga e forrar com papel vegetal o fundo de duas formas redondas de 20 cm de diâmetro. Polvilhar com farinha e Reservar.
Bater o açúcar com os ovos e as gemas até triplicar o volume e a massa estar fôfa e esbranquiçada.
De seguida adicionar a farinha peneirada juntamente com o fermento, sem bater, apenas envolvendo com a vara de arames.
Distribuir o preparado pelas formas em quantidades iguais e levar ao forno cerca de 25 minutos até a superfície estar firme e a massa seca ao teste do palito.
Deixar arrefecer e desenformar. Cortar um dos bolos em 2 discos iguais e no outro cortar um disco o mais fino possível (o restante deste bolo não usei). Reservar.

Para o massapão, peneirar o açúcar em pó juntamente com o açúcar “normal”. Juntar ao ovo e mexer um pouco. Colocar a mistura sobre um recipiente com água a ferver e mexer durante 10 minutos, até a mistura ficar macia e mais espessa.

De seguida retirar do calor e colocar o recipiente em água fria, até cerca de 5 cm de altura.
Nesta altura acrescentar a amêndoa ralada (peneirei antes) e depois desta estar envolvida, retirar cerca de 70-80 gr e adicionar o corante verde ao restante. Mexer bem até o tom da massa estar homogéneo, e numa superfície polvilhada com açúcar em pó, amassar até formar uma pasta firme e uniforme.
Ao massapão reservado juntar uma gota de corante rosa e amassar bem. Moldar uma flor/rosa a gosto. Conservar no frio.

Quando for para usar, colocar a massa numa superfície ligeiramente polvilhada com açúcar em pó, com o rolo pressionar, virando sempre em quartos de volta, de modo a criar a forma redonda pretendida. Quando estiver no tamanho certo usar. Se a massa estiver demasiado pegajosa e difícil de trabalhar, levar ao frigorífico 30-40 minutos e esticar de seguida (seguindo estas quantidades sobraram-me cerca de 100gr depois de cobrir o bolo)

Montagem:

No prato de servir colocar um dos discos mais altos, barrar com o chantili e distribuir o doce de framboesa por cima. Colocar o outro disco igual por cima.
De seguida distribuir o creme pasteleiro dando a forma semi circular que o bolo apresenta.
Pegar no disco fininho de massa de bolo e moldar ao creme, pressionando ligeiramente e reforçando a forma semi circular.
Por fim cobrir com a folha de massapão verde, já bem esticada, ajustando delicadamente ao bolo. Cortar os excessos com uma faca afiada ou cortador de pizza e garantir que a massa fica perfeitamente ajustada aos elementos interiores.
Levar ao frio umas horas, ou idealmente, de um dia para o outro.
Na hora de servir polvilhar com açúcar em pó e decorar com a flor em massapão.

Nota: entendo que os pontos cruciais para o sucesso deste bolo passam simplesmente por fazer um creme de pasteleiro bem consistente, e por deixar o bolo bastantes horas no frio para firmar bem. 
Não o consegui deixar de um dia para o outro e isso reflectiu-se na firmeza do creme.  
Todos os restantes passos são super acessíveis.

De qualquer das formas aqui fica uma útil ajudinha:
https://www.youtube.com/watch?v=jcySM0cMYv8